Aqui não se fala, se cala
Aqui não se vive, se trabalha,
Aqui não se cria, se produz
Aqui dentro não está batendo luz
Aqui não se vive, se sobrevive
Aqui não se cria, se copia
Aqui não se fala, se reproduz
Aqui dentro não está batendo luz
Aqui não se ganha, se adquire
Aqui não se chora, se lamenta
Aqui não se raciocina, se decora
- Cale-se, senão te boto pra fora!
Quero falar para sair,
se aqui já não posso rir,
expulsa e me deixa ir,
a francesa na hora de partir.
- Arnaldo Crespo
Retiro das Poesias Modernas
domingo, 8 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Aqui e Fora
Quem serão os loucos?
Os de dentro ou os de fora?
Aqui está tudo na paz
Aí até parece que sufoca
A indiferença fere
A ignorância cega
A loucura se transfere
quem se aproximar pega
Quais são os mais loucos?
Aí fora ninguém se conversa
Aqui ainda há união
Ninguém está com pressa
Se tu viesse com a gente
Vais conhecer meu lugar
Ninguém gosta de inteligente
Mais esperto vai ficar.
-Arnaldo Crespo
Os de dentro ou os de fora?
Aqui está tudo na paz
Aí até parece que sufoca
A indiferença fere
A ignorância cega
A loucura se transfere
quem se aproximar pega
Quais são os mais loucos?
Aí fora ninguém se conversa
Aqui ainda há união
Ninguém está com pressa
Se tu viesse com a gente
Vais conhecer meu lugar
Ninguém gosta de inteligente
Mais esperto vai ficar.
-Arnaldo Crespo
Carta à Buarque.
Chico, aqui ainda bebemos do mesmo cálice.
Cálice de vinho tinto, de gosto amargo, de preço caro.
Aqui, caro Chico ainda vai raiar o sol do novo dia.
Continuamos caminhando e seguindo as canções,
Pra que um dia não se beba mais do cálice,
Um dia que o sol raie e as flores brotem pelo chão.
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